The video game is on the table!

Já ouvi muitas pessoas torcerem a cara para jogos de video game: são violentos, viciantes… Nada de bom parece vir desses brinquedos “malditos”. Entretanto, há mais benefícios do que se pode perceber e que eu, como um gamer de longa data (e estudioso dos efeitos do lúdico na aprendizagem), poderia elencar aqui. Mas como este é um blog para professores de inglês, acho que cabe alguns comentários acerca de como o jogos de video game podem ser uma ferramenta a mais para nossos alunos aperfeiçoarem seus conhecimentos linguísticos.

Os jogos de video game vêm evoluindo rapidamente nos últimos anos e, como indústria, já deixaram o cinema para trás há muito tempo em termos de rentabilidade. Hoje em dia, embora haja muitos jogos sendo “localizados” para o Brasil, ou seja, sendo traduzidos e adaptados à nossa realidade, ainda há uma gama de jogos que poderiam ser utilizados também como ferramenta de aprendizagem.

Muitos jogos vêm com longos diálogos, informações ou características e descrições em inglês. Sem um domínio do idioma, fica difícil passar de fase, sobreviver ou até mesmo entender o que precisa ser feito a seguir. Os jogos não são apenas escritos, com informação na tela: muitos dos diálogos são falados, e com sotaques diferentes! Ou seja, dá para aprender/estudar listening, pronúncia, regionalismos… Além de, se as pessoas estiverem jogando em rede, algo muito comum, falar com nativos em partidas multiplayer (várias pessoas conectadas jogando através da internet) também pode ser uma boa para praticar speaking.

E por que será que a meninada consegue dar saltos nos seus vocabulários depois que começam a jogar video game? Já vi isso acontecer com vários alunos, e o fenômeno não consegue ser replicado em sala de aula, na maioria das vezes. Ou seja, a mesma proporção e quantidade de vocabulário no mesmo período de tempo.

Jogar videogame é motivante, o que já é um fator positivo para baixar a resistência à aprendizagem. Acredito que o jogador está participando de um processo de aprendizagem extremamente ativo, ou seja, ele não está apenas recebendo as informações: ele precisa fazer algo com elas, precisa “sobreviver” no jogo, desvendar/resolver algum desafio, passar de fase.

Como às vezes, as palavras ou diálogos começam a se repetir, aprende-se por tentativa e erro, por associação. Alguns jogadores jogam com dicionário do lado ou com o tradutores online. Tudo vale para passar de fase. E no final, o jogador acaba aprendendo e melhorando seu vocabulário.

O video game não substitui a aula tradicional e nem é a resposta que procurávamos para nossos problemas em sala de aula. Questões gramaticais geralmente parecem ficar para trás e aí entra o professor.  Você não precisa ser um jogador hardcore para auxiliar seus alunos. Basta se interessar, auxiliar nas dúvidas, o que ajuda a quebrar possíveis barreiras no interesse deles em aprender o idioma.

No final, não se pode negar que é uma ferramenta poderosa na aprendizagem. Portanto, antes de sair por aí falando mal dos games, que tal tirar o pó do Super NES do seu sobrinho e começar a brincar um pouco com Zelda? É importante entender e experimentar um pouco desse mundo tão rico e cheio de oportunidades que os video games oferecem.

 

Fabiano Silveira

Fabiano Silveira é graduado em Letras Inglês e Mestre em Educação com ênfase em Estudos Culturais. Professor de Inglês do Curso de Letras e Secretariado Executivo Trilíngue da ULBRA e Coordenador do Instituto de Línguas da mesma universidade. Também atua como professor de inglês no Colégio Israelita Brasileiro e como tradutor freelancer para editoras e estúdios de histórias em quadrinhos. Contato: • profnerd@icloud.com • facebook.com/profnerd

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