Falando Sobre Collocation

O termo collocation já faz parte do cenário de ensino de língua inglesa há um bom tempo. Há na história relatos sobre collocations desde o ano de 1933. Harold Palmer, linguista inglês, é tido como o primeiro a citar tal termo. Na introdução de um de seus livros, ele escreveu:

When a word forms an important element of a ‘collocation’ [a succession of two or more words that may be best learnt as if it were a single word] the collocations is shown in bold type.

CollocationsOutros autores passaram a investigar isso. Na década de 1950, o linguista inglês John Rupert Firth começou a dar mais detalhes sobre o assunto. O papel desse linguista foi tão marcante que ele é, por muitos, conhecido como o pai dos collocations.

Curiosamente, por mais que se tenha escrito e falado a respeito, muitos professores no Brasil ainda querem saber o que são collocations. Então, neste pequeno texto, tentarei resumir o que muitos estudiosos do campo lexical entendem por collocation. Contudo, aviso que não há um consenso geral. Alguns autores chegam a se contradizer em suas definições. Então, vou fazer o possível para simplificar o assunto.

Eu, particularmente, prefiro o termo no singular: collocation. Pois, para mim, collocation é apenas um fenômeno que ocorre naturalmente sem nos darmos conta ao usarmos uma língua. Por ser um fenômeno, não temos como vê-lo, mas somente percebê-lo. Não se preocupe! Eu estou tentando melhorar o que quero dizer! então, vamos para a prática.

Para percebermos o fenômeno collocation acontecendo, temos de usar uma palavra chave como exemplo. Assim, vamos aqui usar a palavra “party” (festa) como nossa palavra chave.

Tendo a palavra chave –party –, passamos agora a pensar em palavras (verbos e adjetivos) que são naturalmente usadas (ditas) com ela. Segue uma pequena amostra:

  • throw a party, give a party, organize a party, have a party, go to a party, hold a party, crash a party, birthday party, surprise party, engagement party, farewell party, wedding party

Note que saber dizer “festa” em inglês é algo simples; mas, saber combinar outras palavras corretamente com ela é preciso de um conhecimento a mais. Esse conhecimento a mais é o que podemos chamar de collocation. Trata-se do fenômeno acontecendo em torno da palavra “party” e que fará a diferença na hora de usar a palavra naturalmente.

Se o aprendiz não tiver consciência desse fenômeno, ele poderá dizer “make a party” ou “do a party” com a intenção de dizer “fazer uma festa“. Essas combinações não soam naturais em inglês. Pois, “make” e “do” não são usadas com a palavra “party” no sentido de evento social. Em inglês, o mais natural é dizer “throw a party“, “have a party“, “give a party“.

Entender o fenômeno collocation e ficar de olho no modo como as palavras combinam umas com as outras é algo importante no desenvolvimento da fluência em inglês. O linguista David Wilkins sobre isso disse:

A proficient student of English may be marked out as non-fluent if he/she happens to misuse the most common combinations words have. They can be grammatically competent, but if they are not collocationally competent they will sound funny and weird.

Portanto, não tente entender collocation como se fosse um algo, um coisa. Acostume-se a encará-lo como um fenômeno linguístico que acontece naturalmente.

Cuidado porém ao lidar com esse assunto com seus alunos. Eles não precisam entender os detalhes técnicos que nós usamos para analisar descrever isso. A eles podemos apenas ensinar que palavras geralmente são usadas com uma determinada palavra chave.

O que você – professor ou professora – deve fazer é conscientizar seus alunos sobre esse assunto. Nada de ser técnico demais! Além disso, incentive-os a sempre anotarem palavras que são usadas com alguma palavra que estejam aprendendo (house, home, work, school, car, breakfast, door, etc.). Incentive-os a perceberem essas combinações enquanto leem um texto, a letra de uma música, o diálogo de um filme e demais recursos disponíveis.

Você pode ainda mostrar a eles combinações de palavras que sejam interessantes e diferentes: “hold a conversation” (manter um diálogo), “call a national strike” (convocar uma greve nacional), “slight accident” (acidente de leves proporções), “shoulder the blame for something” (assumir a culpa por algo), “stiff bill” (conta salgada), “stretch the truth” (distorcer a verdade), “thorny problem” (problema cabeludo), “meager lunch” (almoço mixuruco) e outras mais que você identificar ao preparar uma aula e que sejam válidas para os alunos.

Tudo correndo bem, você notará que o fenômeno collocation estará presente em suas aulas sem que ninguém se preocupe com os detalhes técnicos por trás do assunto. O desenvolvimento lexical dos alunos acontecerá de modo descontraído e divertido.

REFERÊNCIAS

» LIMA, D. (2013). Combinando Palavras em Inglês: seja fluente em inglês aprendendo collocations. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus
» MCCARTHY, M., O’KEEFE, A. and WALSH, S. (2010). Vocabulary Matrix: understanding, learning, teaching. Hampshire: Heinle Cengage Learning.
» WOOLARD, G. (2000). Collocation – encouraging learner independence. In Lewis, M. (Ed.). Teaching Collocations: further developments in the Lexical Approach. Hove: LTP

Denilso de Lima

Denilso de Lima is an experienced writer and teacher educator. He is the author of “Inglês na Ponta da Língua”, “Gramática de Uso da Língua Inglesa”, and “Combinando Palavras em Inglês”. His website – inglesnapontadalingua.com.br – is a number-one website on English language tips in Brazil. Denilso is fascinated by formulaic language, corpus linguistics and spoken fluency development. Like his Facebook fanpage on facebook.com/inglesnapontadalingua

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