Como lidar com professores que cobram muito menos que eu?

Tenho certeza que você conhece alguns professores que cobram muito menos que você, assim como também deve conhecer gente que cobra muito mais caro, pelas aulas particulares de inglês.

Um dos posts que aparece com mais frequência nos grupos de professores é relacionado justamente a isso: como lidar com prof que cobra muito menos que eu?

Aqui vai um exemplo extraído de um desses grupos há pouco tempo atrás:

Às vezes os posts são somente dúvidas, como o exemplo acima, outras vezes o autor já está um pouco mais estressado, com razão, e usa o espaço para pedir ajuda ou talvez somente para desabafar com os colegas mesmo, o que também é muito válido.

Eu particularmente entendo, ensino que isso é um movimento totalmente natural de mercados desregulamentados e que precisamos saber navegar pelo mar de concorrência (chamado de oceano vermelho por W. Chan Kim e Renée Mauborgne no livro “A estratégia do oceano azul) até encontrarmos nossa promissora “terra firme”.

Coincidentemente, também há pouco tempo atrás, a página Publicitários Criativos publicou essa imagem que viralizou nas mídias sociais:

Em todos os compartilhamentos, inclusive no post oficial, houve muita discussão acerca desse post. Então vou aproveitar e já explicar um ponto de vista que engloba os dois exemplos acima.

Marketing

Antes de mais nada, estude ao menos superficialmente alguns conceitos e práticas de marketing (este curso pode ser de grande valia), ainda que você vá contratar algum profissional depois. Você é o(a) dono(a) do seu negócio de aulas particulares, então ninguém melhor do que você para entender o que aplica ou não ao seu público-alvo (alunos em potencial).

Precificação

Já com uma noção mínima sobre o que é marketing e como ele funciona na nossa área, comece a montar sua precificação da forma mais estratégica possível (veja esse texto sobre precificação de aulas particulares para referência). É preciso pesquisar concorrentes, o que eles têm de vantagens e desvantagens em respeito ao que você oferece, quanto eles cobram, quais as condições de aulas, remarcações, cancelamentos, deslocamentos, etc.

Isso é chamado de pesquisa de mercado e deve ser feito respeitosamente, nada de sair enviando “clientes fantasma” e tomar 1h do tempo do colega da outra escola sem a mínima intenção de fechar negócio.

Aulas como “bico”

De tempos em tempos são publicadas matérias novas falando sobre como a profissão “professor” é a mais escolhida por profissionais de qualquer área que estão com problemas financeiros e precisam fazer um “bico” para ganhar um dinheirinho a mais.

Na verdade, você mesmo que está lendo esse texto talvez tenha começado a dar aulas como um “bico”.

O que diferencia o profissional “bico” do profissional realmente preparado e competente não é simplesmente um curso superior, mas sim o quanto essa pessoa está disposta a se profissionalizar e só o fato de você estar lendo este artigo em um blog especializado em educação significa que você tem interesse em capacitar-se e oferecer um serviço de melhor qualidade a seus clientes.

Percepção de valor

A lista de motivos para cobrar mais caro ou mais barato é longa e subjetiva, tendo a ver com o conhecimento e experiência do profissional sobre tudo o que já foi abordado nesse texto e cada um de seus desdobramentos.

Entenda assim: já que o mercado é composto de pessoas de todas as classes financeiras, então sempre tem gente com condições financeiras e interesse em fazer cursos de inglês em momentos diferentes e em lugares diferentes.

Não se apegue aos detalhes técnicos da Coca-Cola ou da Dolly, mas sim que tem gente que só vai tomar Coca-Cola, diferentemente de outras pessoas que até preferem Coca-Cola, mas só tem dinheiro para comprar Dolly, então “é o que tem pra hoje”.

Muita atenção: em momento algum eu disse que o refrigerante Coca-Cola é melhor que a Dolly, até porque gostar do sabor de cada um é totalmente subjetivo.

A Coca-Cola consegue vender mais caro porque ela foi capaz de criar uma gigantesca estrutura de marketing que a possibilita vender mais caro, independente da qualidade ser ou não superior. Diferente de comparar uma Ferrari com um Fusca, por exemplo, onde a parte técnica e funcional é altamente diferente.

Eu conheço, particularmente, ótimos professores que cobram menos de 20 reais a hora/aula e conheço também maus profissionais que cobram mais de 100 reais a hora/aula. A diferença, de novo, está nas estruturas que falamos um pouco acima: qual a percepção de valor que o potencial cliente tem ao entrar em contato com o seu trabalho?

Não é só preço, é valor mesmo. Ao ver o que você oferece o potencial cliente acha que o preço está de acordo com o resultado que ele terá ou acha que está desproporcional? Isso vai influenciar em grande escala sobre a decisão de compra ou de preferência por um outro profissional.

Sucateamento do mercado

Junto aos posts dos grupos normalmente vêm variações da expressão “sucateamento do mercado”, que podemos entender por alguém que cobra pouco e “arrasta” os preços da concorrência também para baixo. Isso acontece em mercados que não são regulamentados, como o de aulas particulares de idiomas, já que somos livres para escolher o quanto queremos cobrar.

Essa expressão é correta e realmente existe, mas eu tenho sérias dúvidas que estejamos participando de um sucateamento de mercado tão forte assim nas aulas particulares. Para que isso aconteça efetivamente, é necessário que haja uma oferta massiva do serviço aulas particulares a preços mais baixos que a média, de forma que os demais também precisem abaixar.

Vamos fazer uma conta fictícia aqui para ilustração, então imagine os seguintes dados:

Seguindo a média brasileira, uma cidade de 700 mil habitantes tem em torno de 327 mil trabalhadores economicamente ativos (46,7%).

Se nessa cidade houver 100 professores particulares, que têm condições (nos melhores casos) de ter no máximo 30 alunos, todos cobrando preços baixos, isso significa que há uma oferta de 3 mil vagas para aulas bem baratas.

3 mil é menos de 1% da população economicamente ativa (desconsiderando crianças e jovens que já estudam inglês), ou seja, a proporção é muito ínfima para ser suficiente para sucatear o mercado da cidade toda.

Como lidar com professores que cobram muito menos que eu?

Assim, voltemos à pergunta do título com uma posição mais firme: para lidar com os professores que cobram muito menos que você, estude, profissionalize-se e “cuide do seu próprio jardim”, até porque quem compra Coca-Cola ou Ferrari, não vai querer Dolly ou Fusca.

Tem a ver com qualidade, com condições de pagar mais caro, com flexibilização de serviços, com personalização de aulas direcionadas aos objetivos, com características pedagógicas, com cada uma dessas coisas separadamente ou até com todas elas juntas.

Agora, sabe o que realmente seria muito legal? Chamar o profissional que está cobrando muito mais barato pra bater um papo como colegas de profissão que são.

Há grandes chances de ele estar cobrando menos porque não sabia que poderia cobrar mais e porque se sente profissionalmente inferior por algum motivo que muitas vezes está só na cabeça dele.

Que tal, ao invés de brigarmos ou desesperarmos, termos uma postura mais aberta e acolhedora?

Vinicius Diamantino

Opa, tudo joia? Meu nome é Vinicius Diamantino, eu sou o fundador da DeProfPraProf, Professor de Inglês há mais de 10 anos, Master Coach e Treinador de Professores, criador do blog www.deprofpraprof.com.br e de vários cursos para professores particulares. Fique à vontade para entrar em contato comigo pelo contato@deprofpraprof.com.br!

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