Lost in Translation – O uso da tradução na sala de aula

Olá a todos e todas! Para este post de hoje, resolvi trazer um pouco à baila um assunto que tem a ver com uma das minhas atividades profissionais relacionadas à língua inglesa. Sou tradutor, atualmente trabalhando mais com livros de RPG (para saber um pouco mais sobre isso, leia meu post). Entretanto, sempre que posso, trago para as minhas aulas algumas referências e/ou atividades relacionadas à tradução.

Antes que me apedrejem por estar usando Grammar Translation Method e não alguma técnica mais comunicativa, deixe-me explicar que não é isto que estou fazendo em sala de aula. Na verdade, estou levando em conta, sim, a importância da língua materna como uma ferramenta de ensino, sem negligenciá-la, fazendo inferências e relações para que a aprendizagem da língua inglesa possa se tornar mais efetiva para alguns alunos. E não faço isso por “achismo”, poderia citar vários autores e sites significativos que corroboram minha prática.

Este, como de praxe, será o primeiro de alguns artigos que pretendo postar a respeito desta prática. Não tenho a intenção de ser teórico demais, mas ressalto apenas que a prática de Grammar Translation Method, derivada da forma de ensino de grego e latim, foi muito importante por muito tempo e deixada de lado juntamente com outras técnicas quando outras abordagens foram surgindo. O processo de memorização de longas listas de vocabulário, regras gramaticais e a tradução de textos literários e/ou históricos, da forma como vinha sendo trabalhado, não se configurava como uma prática de aprendizado realmente comunicativa e positiva.

Muitos colegas professores devem se opor ao uso da tradução e da utilização da língua materna do estudante na sala de aula de língua inglesa. Geralmente, os argumentos contrários a esta prática envolvem os discursos de que a tradução:

  • é um exercício artificial e não-comunicativo, restrito à leitura e escrita;
  • pode causar uma dependência da língua materna e inibir a livre expressão em língua inglesa;
  • a tradução não tem aplicação e uso no dia-a-dia, no mundo real;
  • pode frustrar e desmotivar alunos por não conseguirem atingir um nível de precisão gramatical e/ou estilística satisfatório, próximo ao de um nativo;
  • pode funcionar com estudantes que têm propensão literária e que gostam de gramática e vocabulário, mas não funciona com a maioria dos aprendizes.

Entretanto, os benefícios de aprendizagem com o uso de tradução em língua inglesa são vários:

  • com bom planejamento, é possível trabalhar com as 4 habilidades linguísticas a partir da tradução;
  • tradução é uma atividade comunicativa, tendo em vista que o texto traduzido deve comunicar uma ideia de forma clara e relevante;
  • exercícios de tradução em grupo podem ser motivantes, além de estimular a cooperação e aprendizagem colaborativa;
  • a tradução é natural e cada vez mais importante em um mundo globalizado;
  • mesmo que não façamos uso dela em sala de aula, a tradução é uma prática corriqueira dos alunos;
  • o uso de técnicas de tradução pode incentivar e aprimorar a escrita;
  • comparações linguísticas da L1 e L2 podem suscitar excelentes discussões em sala de aula;
  • a tradução pode ser usada para objetivos bem específicos, como gramática, vocabulário etc.

Assim, para não me alongar muito mais, no próximo mês, voltarei para conversarmos mais sobre isso, com alguns exemplos de práticas de sala de aula usando tradução. Abraços e até a próxima!

Fabiano Silveira

Fabiano Silveira é graduado em Letras Inglês e Mestre em Educação com ênfase em Estudos Culturais. Professor de Inglês do Curso de Letras e Secretariado Executivo Trilíngue da ULBRA e Coordenador do Instituto de Línguas da mesma universidade. Também atua como professor de inglês no Colégio Israelita Brasileiro e como tradutor freelancer para editoras e estúdios de histórias em quadrinhos. Contato: • profnerd@icloud.com • facebook.com/profnerd

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